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Star Wars O despertar da força

Review ao Star Wars: O Despertar da Força (Episódio VII)

A review em português ao novo Star Wars, com o nome de Star Wars: O Despertar da Força em Portugal. Actualmente no cinema. Esta review contem alguns spoilers.

Por Pedro Covas Pedro Covas a 21/Dez/2015

Debruçar-me criticamente sobre o filme Star Wars: O Despertar da Força não foi uma tarefa fácil. É uma saga com um legado mágico de 38 anos que une crianças a adultos de várias gerações em torno das lendas da força. Para as quais muitos, incluindo eu, criaram laços emocionais profundamente enraizados nas nossas mentes e corações dos quais nos é difícil distanciar. Herdar esse complexo universo e dar-lhe continuidade foi uma tarefa ainda mais difícil para J.J. Abrams, mas, como um velho sábio disse uma vez: “Do, or do not.”

O novo Star Wars é indiscutivelmente o melhor de toda a saga em quase todos os seus aspectos mais técnicos. A cinematografia é absolutamente fantástica porque mistura técnicas de iluminação e som clássicas. Em certos momentos fabricam-se imagens icónicas e poderosas sobre as personagens e os espaços envolventes. O plano em que vemos Rey jantar ao pôr do sol em Jakku, aos pés de uma AT-AT abandonada que lhe serve de abrigo, usando um capacete do Rogue Squadron na cabeça, é para mim o equivalente do plano de Luke a olhar para o pôr dos sois em Tatooine, no episódio VI.

Em ocasiões de acção, há momentos que me lembram sequências de Steven Spielberg, como a perseguição no cemitério de naves em Jakku, ou, a ocasião em que vemos num só plano longo a X-Wing de Poe Dameron a ser genialmente pilotada e a destruir vários Tie-Fighters no background, enquanto em primeiro plano temos Finn a tentar soltar-se da cilada em que se colocara. Cada planeta tem um mise-en-scéne muito bem trabalhado, desde o arenoso e ingrato Jakku (que se assemelha bastante a Tatooine, provavelmente para criar um elo visual com a trilogia original) à fria e implacável base Starkiller. Estender-me demasiado neste parágrafo seria entrar numa comparação com a prequela que não seria justa para este filme, e por esse motivo limitar-me-ei a dizer que os efeitos especiais estão bem trabalhados e bem aplicados no filme, recuperando o lado humano da saga original.

A composição musical de John Williams, clássica e épica, encaixa perfeitamente nas cenas, ao ligar personagens, espaço e acção de uma forma completa. Porque lhe imprimem exactamente o tom melódico e a intensidade certa. Algumas composições recuam aos episódios IV e ao episódio V, quando o filme aborda temas sobre o passado das personagens ou sobre a “força”. Sendo profundamente nostálgicas, para depois evoluírem para algo novo, sugerindo uma passagem de um legado ou o despertar de um poder que antes não existia. Outras composições completam a caracterização das personagens, como os temas dedicados a Rey ou Kylo Ren, e reflectem ambos o mistério, espírito de aventura ou a crueldade nelas. Acho apenas que o tom poderia ter sido mais agressivo e poderoso e menos deprimente na sequência em que a Starkiller destrói quatro planetas.

Star Wars O despertar da força

Cena em Jakku com Finn e Rey em fuga.

O elenco de Star Wars: O Despertar da Força:

O elenco de Star Wars: O Despertar da Força não é luxuoso, mas é muito bom. A performance dos actores é surpreendentemente boa, embora seja mais credível nuns casos do que noutros. A que me deixou mais apreensivo foi a de Domhnall Gleeson, que faz de General Hux, e que se arrisca a cair num over-acting de Terceiro Reich intergaláctico na sequência de um discurso (embora eu pense que funcionou mesmo). Oscar Isaac (Poe Dameron), John Boyega (Finn), Harrison Ford (Han Solo) e as suas respectivas personagens são uma rajada de frescura e energia que trazem a diversão de volta à saga. Já Adam Driver, que personifica o vilão Kylo Ren, deixa-nos num limbo ambíguo quando retira a máscara, porque o acting soa a alguém insonso e patético, descredibilizando a personagem cruel e impiedosa até aí construída. Contudo, é a queda da máscara que humaniza Kylo, mostrando um jovem arrogante de orgulho ferido, em profunda agonia e confusão interior, por não ser ainda aquilo a que ascende, e apenas nos apercebemos disso ao realmente ver a sua cara. A surpreendente revelação do filme é a incrível actriz britânica Daisy Ridley, que com apenas 21 anos faz um papel brilhante enquanto carismática e intrigante Rey, a personagem mais rica do filme. Há uma química explosiva entre os personagens (principalmente entre Daisy Ridley e John Boyega) que mostra que Han Solo (agora fora da saga) tem certamente sucessores à altura do legado que ele lhes deixou.

Finalmente entrando no domínio da narrativa, o Star Wars: O Despertar da Força não reinventa o universo de Star Wars, apenas constrói o set up necessário para a continuação da luta intemporal entre o lado bom e mau da força, desta vez com duas personagens principais: Rey, uma sucateira com fantásticos dotes de pilotagem e uma ligação à força que desconhecia, e Kylo Ren, um discípulo de Luke Skywalker que se rebelou e decidiu seguir as pisadas do avô, Vader.

Star Wars O despertar da força kylo

Personagem Kylo Ren em Star Wars: O despertar da força

O Star Wars: O Despertar da Força recupera a archplot do episódio IV e alguma parte da narrativa do episódio VI, sendo possível notar uma grande verosimilhança com este episódio (a sequência e a natureza dos acontecimentos, o planeta arenoso, a Starkiller, a morte de uma personagem importante). Na minha perspectiva, o gap de 30 anos entre o episódio VI e este filme é que se pode tornar um elefante na sala. Na medida em que nem todas as perguntas foram respondidas e que se levantam com o novo capítulo, sobre a origem de Snoke e da Primeira Ordem, que era o velho aliado da Resistência, Lor San Tekka. E fizeram-me sair do cinema a pensar se se tratam de plot holes indesejáveis, ou, se terão resposta nos capítulos a seguir a este Star Wars: O Despertar da Força. A questão é que será muito difícil criar na saga uma história que cresça além da família Skywalker, e penso que tanto J.J. Abrams e Lawrence Kasdan terão percebido isso quando confrontados com o desafio de escrever este episódio. Certos elementos e dilemas humanos ou visuais do universo constituem uma fórmula da qual é difícil fugir. Talvez para isso sirvam os spin-offs como Rogue One, com estreia marcada para Dezembro de 2016.

Em retrospectiva, o filme é muito bom. Faço uma comparação injusta (e super discutível, com certeza) quando afirmo que apenas o blockbuster de 1980 (The Empire Strikes Back) supera o Star Wars: O Despertar da Força. Mas é uma afirmação complicada de se aceitar porque necessita de contextualização. Este episódio não é uma criação original – aliás, respeita a fórmula inicial de George Lucas e limita-se a dar-lhe continuidade – o que não é necessariamente um factor negativo.

O que pode ser um ponto susceptível a crítica são os gaps de perguntas que ficam sem resposta em Star Wars: O Despertar da Força. Tudo o resto é positivo, porque J.J. Abrams foi capaz de produzir e unir à sua volta uma galáxia de pessoas verdadeiramente apaixonadas pela saga original e com um enorme talento (sendo para mim Lawrence Kasdan a chave deste sucesso) para criar uma história que embora não seja 100% original, é apaixonante e desperta a força da saga.

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Um comentário a “Review ao Star Wars: O Despertar da Força (Episódio VII)”

  1. jonh diz:

    Muito bom o Star Wars vou conferir.

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